São tantos sentimentos que nem sei o porquê de escrever.
Dói forte aqui dentro do peito, só sinto vontade de chorar, não sei se pelos hormônios que enlouquecem quando menstruo ou por causa das emoções e comoções dos últimos tempos.
Talvez os dois.
Inspiro e expiro na tentativa de expurgar a sensação de fragilidade e impotência diante de tantas dores, embora eu tenha total consciência de que na minha indigência humana, sou frágil e impotente.
Tempos difíceis!!!
Um suspiro, uma tentativa de traduzir em palavras, mas só queria mesmo era gritar até ficar rouca e perder a voz. Uma insensatez atrás da outra.
Ufa! Realmente precisava pegar os óculos, estava comendo as sílabas mais que o meu natural. Será que é uma fome existencial? Estou um pouco cansada também de acentuar as palavras, nunca pensei que me cansaria disto.
É, até minha escrita está vaga, vagando, viajando na velocidade dos meus sentimentos confusos.
Que curvas seguir? Por qual corredor devo passar?
Não sei. Nada está muito claro hoje, só a vontade de expressar alguma coisa, qualquer coisa que dê sentido, que faça eu sentir algo para desaguar. Estou lenta, minha cabeça parece que vai me atropelar, as ideias são muito mais rápidas do que posso controlar. Seria ansiedade? Angústia? Não sei.
A única coisa que sei, é que para a sociedade em geral, o "não sei", não é bem quisto. Precisamos saber de tudo, todas as respostas, principalmente, se supostamente, nós deveríamos saber. Parece - me tão estranho ter que saber as respostas, os motivos, os caminhos... Isso é tão cansativo pra mim, às vezes. Relaxar! Acho que preciso dar uma chance para minha mente relaxar, aquietar, contemplar.
As sensações e os sentimentos, talvez assim, encontrem seus caminhos, percebam por quais rios e mares devam percorrer antes de desaguar. Deixar fluir...
Isso, deixar fluir. Não controlamos quase nada. A vida é cheia de revezes e surpresas, planejamos o amanhã de um determinado jeito e aí surge um obstáculo.
Resultado: frustração.
Não se trata de irresponsabilidade ou falta de comprometimento, trata - se de perceber que, de repente, precisaremos mudar o roteiro para atingir o objetivo final. E, claro que para isso, se faz necessário perceber o quão estamos sujeitos aos improvisos. Isso requer sabedoria.
Perseverar, acho que deve ser isso a fazer quando se tem um objetivo! Mesmo que o dia amanheça nublado e triste, não significa que o sol deixará de brilhar. Uau! Que otimismo desabrochou em mim agora, agorinha, neste exato momento. Sarcasmo?
Parece que o coração deu uma afrouxada, consigo respirar melhor, enxergar com um pouco mais de clareza o que me agoniava.
Os rios correm mais tranquilos, os sentimentos estão se reorganizando, a angústia sumiu! Opa! Que de repente incrível! Um pouco de palavras e expressão para aliviar as tensões.
Na verdade, não preciso ter certeza de nada. Quero continuar questionando mais e mais, quem se diz ter todas as respostas, não sabe que não sabe de nada. Alias, o grande equívoco é pensar que sabemos muito. Seria maravilhoso se fosse dessa forma. Ahhhh! Tudo seria tão mais simples, o mundo seria uma equação matemática, onde x + x sempre resultaria em 2x.
Mas, o mundo não é uma equação matemática, nem a mais simples. O mundo em que vivemos, o nosso mundo particular, o mundo dos sentimentos e pensamentos, na maioria das vezes, foge a lógica de que possamos, de fato saber, o que é a vida.
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