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Líquido vermelho !

 O corpo incha, os humores incham, uma explosão hormonal a cada mês. As formas ficam arredondadas, sensíveis, a alma entra em contato com o sagrado feminino, a essência materializa no desaguar em líquido vermelho, do cálice intimo. 

Durante anos, esse líquido foi considerado impuro, as mulheres eram obrigadas a esconder sua manifestação e reprimir seus desejos e vontades diante a uma sociedade machista e opressora! Mas, nunca foi tão claro, como nos dias atuais, que toda essa opressão era para nos mantermos caladas. Nosso poder foi se tornando menos potente de acordo com a nossa construção social. Eis, então, que ressurge com força total  "o grito" da liberdade e o reconhecimento que simplesmente, muitas de nós, deixou latente, um grande despertar.

Entretanto, o que seria para ser indolor, motivo de reconexão, introspecção, passou a atormentar milhares de mulheres, nos fazendo acreditar que seria melhor reprimir o líquido, violentar a natureza. Estamos ainda resgatando esse poderoso processo de auto acolhimento, de poder, da capacidade de nos conectar com a grande Deusa, com Gaia.

Memórias surgem de forma intuitiva através dos saberes lunares que sempre estiveram presentes, pois foram devidamente guardados, como um tesouro, por nossas ancestrais. Surge, então, a divulgação ousada e necessária de mulheres poderosas que dedicam sua existência a estudar e pesquisar nas profundezas do matriarcado essas grandes riquezas.                                                                                                                                                                                                                                                         Os círculos lunares, exaltando o feminino, tornou - se, novamente, práticas atuantes em diversos países e etnias. Esse regresso nos permitiu uma profunda ligação com nossas anciãs e seus saberes sagrados.

Desconstruir essas crenças nas quais a maioria de nós fomos inseridas é tarefa árdua e de um profundo autoconhecimento. À partir do momento em que nos conhecermos em nossa singularidade, não será mais necessário o uso de hormônios que de forma artificial, não nos permite identificar a ovulação e o período de fertilidade, tornando - nos refém e adoentadas.

                                                 Permitir extravasar a sensibilidade, aquietar, perceber que vazio é esse que muitas sentimos, buscando respostas interiores para cada sentimento ou sensação que esse processo da menstruação nos possibilita curar. Que irritação é essa que invade a alma ? Que tristeza é essa e nos faz desaguar em lágrimas?..

Fragilidade não é fraqueza, muito pelo contrário, é a riqueza que nos permite tocar no mais profundo da nossa alma para identificar tudo o que dói e curar desde a raiz da questão. A dor também é uma grande professora para um equilíbrio integral.

Permita - se!

 

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