Estamos sempre em construção, não nascemos prontos e nunca estaremos totalmente prontos. É um legado que o ser humano carrega desde a sua primeira respiração. Somos parte de vários agendamentos, de outros que também foram agendados por seus antecessores!
A busca por si, às vezes, torna - se uma batalha constante do que realmente constitui a essência primordial. Aos poucos e com muita percepção, vamos intuindo quem somos. Nestes momentos surgem os conflitos necessários para o tão aclamado autoconhecimento.
Na infância já podemos perceber algumas de nossas vontades e o modo como nos apresentamos no mundo. Claro, que já estaremos muito impregnados pela nossa cultura, pelo espelhamento do que representa nossos pais para cada um de nós. Mesmo assim, nas entrelinhas, começam a aparecer fragmentos de nossa personalidade, nossas aptidões e outras formas singulares de expressão. Se conseguirmos ter a sorte de ter pais atentos, não nos reprimirão tanto, entretanto nem sempre isto acontece. Os pais costumam projetar seus desejos de comportamento ideal para nós, vão tentando nos moldar como se não pudéssemos desenvolver nossos próprios desejos, vontades, quereres. Surgem, então, os primeiros conflitos.
E, muitas vezes, adoecemos, pois simplesmente não conseguimos romper com os padrões de comportamento agendados. Adoecemos de frustrações, de escolhas que não são essencialmente nossas, adoecemos por falta de sentido. Quando somos mais ousados," quebramos" todas as normas estabelecidas por nossos genitores e nos tornamos rebeldes e contestadores até que se inicie o caminho solitário, e muitas vezes árduo, para descobrir nossa essência primordial, nosso EU. É neste percurso que muitos desistem e se perdem totalmente de si. Mas, os inconformados, mesmo tropeçando e caindo conseguem iniciar um processo de resgate pessoal. São as ditas "ovelhas desgarradas da família".
É através desse resgate que surgem os mais variados questionamentos, já não sabemos o que foi escolha nossa e o que foi escolha de uma construção agendada para nós. Começamos um caminho de autoconhecimento, tentando descobrir quem, de fato, somos nós, no palco da vida. Que personagem existencial somos, qual o papel gostaríamos de representar?
Neste momento agudo da crise, dá - se o início da libertação. E, aí, iniciamos um caminho de construção pessoal, tornado - nos protagonistas de nossa própria existência. A responsabilidade das escolhas são apenas nossas, as consequência são resultados da nossa construção. Cada passo dado é de total responsabilidade de nosso querer e precisamos estar atentos para não delegar aos outros os motivos dos nossos desacertos que são importantíssimos para o nosso crescimento.
Essas reflexões rodeiam minha existência desde sempre. Não é muito confortável questionar tanto, mergulhar nas profundezas da alma, porém essa é a minha essência primordial e fugir disso é fugir de quem sou e de como estou me construindo neste palco chamado: VIDA.

Tão verdadeiro!
ResponderExcluirFico feliz por acompanhar e me identificar com suas palavras.
Texto muito inteligente!
Ahhhhh minha amiga, tão generosa sempre! Mas qdo quiser discordar aqui é o lugar. Quero praticar a escuta e a dialética filosófica. Afinal, não pretendo nunca ser dona da verdade.
ExcluirBjo