A questão da liberdade que quero discorrer através de questionamentos e algumas conclusões pessoais é outra. Ontem eu tive terapia, estava numa crise aguda de conceitos morais e culpas de questões que nem percebi o quanto estava buscando respostas para minhas soluções em lugares onde eu estaria mais infeliz, e, consequentemente menos livre das minhas dores.
Há algumas sensibilidades que faz parte da minha natureza que precisam ser cuidadas, entretanto, só conseguia enxergar um modo de cuidar onde ficaria mais desequilibrada e não estava conseguindo perceber. A tentativa desesperada de sair de uma prisão de sofrimento me encaminhou para outro tipo de lugar existencial onde eu continuaria aprisionada. E, por mais que racionalmente não fizesse lógica para mim, essa tentativa de deslocamento, eu estava caminhando para ele.
Fiquei meia hora da minha terapia falando, chorando, trazendo questões profundas de alma, maldizendo a falta de direcionamento que nunca tive para aliviar as dores de uma sensibilidade tão ostensiva que não percebi que eu mesma estava selecionando o que me libertaria e o que me acorrentaria. O processo terapêutico é fantástico para mim. Mas cuidado, demorei a encontrar um bom terapeuta. Não entregue sua mente para qualquer terapeuta, busque referências, busque saber sobre a ética desta pessoa na vida pessoal e como profissional. São questões importantíssimas. Ah! Procure saber se mesmo depois de anos de consultório, o terapeuta continua a estudar, se está sempre buscando cultura, literaturas, pois os melhores profissionais desta área são os mais cultos e diversificados. Não acredite num terapeuta que pensa que sabe tudo e que te apresente soluções rápidas para sua análise.
Voltando à questão da liberdade.... Pois bem, através da escuta atenta e por me conhecer bem, bastou pequenas interlocuções para eu perceber que confiava mais no discurso de pessoas que nem sabiam qual era minha questão em particular, para eu acreditar em várias receitas de "bolo" dos pregadores do senso comum, e descuidar totalmente da confiança que já tinha adquirido de mim mesma, para sair de uma prisão e me aprisionar em outra.
Mudar padrões preestabelecidos, agendados durante anos, não será em apenas um final de semana, com promessas milagrosas, requer muito autoconhecimento. Tenho percebido tantas práticas, ditas terapêuticas, com a promessa de resultados instantâneos ou quase, que me assusto.
Entretanto, somos livres, até para fazer escolhas não muito acertadas para a nossa vida, e que assim seja. Pois a liberdade é uma conquista, que a partir do momento que percebermos que é real, trará leveza e paz.

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