Aqui estou a esperar momento de voltar a dançar! Quão gratificante pode se tornar um movimento, bem elaborado, calculado,
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explosivo. Sinto falta de instantes, instantes de gargalhadas, instantes de barulhos, instantes de silêncios. Nestes tempos difíceis, tenho percebido o quanto não percebia a importância salutar de estar entre pessoas queridas, ainda que seja só para estar.
Há revezes necessários para o aprimoramento da percepção real, do que seja de fato, essencial para um ser singular. Melancolia invade sem querer, sem nem pedir licença, tantos sentimentos que nem sei descrever, tampouco expressar em palavras. O simples fato de existir já está complexo, sempre foi, mas a cada dia mais conflitante. Esperança de uma vacina eficaz, ou um medicamento que cure essa doença tão ingrata! A cada perda uma dor, a cada saída uma expectativa, a cada volta um ritual e indo e vindo tentamos nos manter sãos.
Nem sempre me tornei fiel a sanidade, depressões, choros, tristeza, saudade. Precisei levantar muitas vezes no labirinto dos caminhos percorridos. Mesmo tonta e sem saber que rumo tomar, segui. Encontrei buracos, sombras, fantasmas, luz, solidão. E, mesmo em meio ao caos tentei muitas vezes me segurar na esperança de dias melhores.
Nas conversas com amigos tenho encontrado acolhida para suportar, no meu relacionamento amoroso encontro um bálsamo de paz, entretanto, a cada dor que alguém próximo sente me sinto impotente, e aí, só me resta rezar. Pedir ajuda ao desconhecido aos olhos, ao que se sente, ao que se percebe, vulgarmente chamado Deus. Olho para o céu e tento imaginar por quanto tempo ainda teremos que ser testados.
Eis que volto a lembrar dos bons momentos outrora vividos; do grupo de dança, dos cafés com os amigos, das idas ao cinema, dos eventos, dos estudos em grupo, dos abraços apertados.
Penso numa praia e tudo começa a acalmar, penso em Iemanjá e, num de repente, sinto o cheiro da maresia ao longe, com a esperança no banho de mar que tomarei quando tudo normalizar, penso no reencontro com os atabaques de um Terreiro.
Abre - se então no meu peito, a vontade de continuar.

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